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Com turnê de 30 anos, Racionais comemoram novos nomes no rap brasileiro: 'Time forte'
Foto: Divulgação / Klaus Mitteldorf
O grupo Racionais MC's, nome de destaque do rap nacional, iniciou em junho deste ano uma turnê pelo Brasil para celebrar 30 anos de estrada. Em sua formação original, Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay desembarcam em Salvador nesta sexta-feira (4), para apresentação na Arena Fonte Nova, a partir das 23h30. O quarteto será acompanhado por uma banda, e não apenas por bases programadas. Cerca de 12 músicos, com naipe de três metais, teclados, percussão generosa, bateria, baixo e duas guitarras, irão compor o grupo.  

"Os shows têm sido lotados, as pessoas estão gostando. É um show com banda completa, e a gente tenta tirar o melhor do som original de cada música. Nós buscamos uma excelência no som, porque é Racionais, um show de 30 anos, não é brincadeira. O show é uma celebração, cantamos os clássicos desde o primeiro álbum. Fazemos um resgate histórico musical", conta o DJ do grupo, KL Jay.  

Por suas músicas serem atemporais, e retratarem assuntos que até hoje estão em pauta como racismo, a vida de jovens negros e pobres das periferias brasileiras, violência, drogas e exclusão social, o grupo paulista tem percebido em seus shows que pais estão levando seus filhos e pessoas mais jovens também estão presentes no público. 

"Tem várias gerações no público e tem sido um astral muito bom. A música dos Racionais tem esse poder de ser atemporal, então atinge os jovens de hoje também. É uma música que fica no ar, ela não é esquecida", comemora.

"Muitos jovens se identificam com as letras porque é um som de verdade, que tem emoção e tem também o inconformismo. A música cria essa força, é a mesma coisa que um carro, digamos assim. Imagina uma BMW de 25 anos atrás andando na rua hoje. Ela passa e todo mundo fala: 'uau, que carrão'. Mesmo com os carros modernos, um carro de 25 anos passa na rua hoje e todo mundo elogia, e existe essa força com a música dos Racionais", compara. 

Algumas canções do grupo, como "Qual Mentira Vou Acreditar?" e "Estilo Cachorro", que contêm letras que falam sobre as mulheres e poderiam ser interpretadas como machistas, precisaram, três décadas depois, serem repensadas antes dos integrantes decidirem se elas estariam no repertório da turnê. 

"A gente era mais jovem quando fez as músicas, tinha outra visão. Sinceramente eu nem acho que seja uma música machista, pra mim fala de uma verdade. Mas por uma questão de ética e inteligência essas músicas foram abortadas, porque essa questão do empoderamento feminino aqui no Brasil tá quente, saiu do forno agora. Então para evitar a fadiga, a gente resolveu eliminar essas músicas aí. Nem canta, nem toca mais", explica KL, defendendo que ainda assim algumas fãs não enxergam problema nessas letras: "Agora, eu já ouvi mulheres falando: 'eu gosto dessa música, porque tá sendo contada uma verdade, porque vocês falam dos homens também. Eu não sou esse tipo de mulher que você fala na música'. Tem que ser analisado por vários lados, mas para evitar o conflito, resolvemos tirar". 

Além de repensar determinadas letras, KL Jay destacou ao Bahia Notícias que outros aspectos também mudaram na cena do rap brasileiro. Segundo ele, o estilo musical se tornou mais "adulto e maduro" e está mais profissional. "Hoje existe um profissionalismo musical na produção das músicas, dos shows. Então a gente estava engatinhando e agora aprendeu a andar. Não dá para engatinhar mais, estamos precisando aprender a correr. Os norte americanos já estão fazendo isso há muito tempo", apontou o DJ. 

A cena atual do rap nacional conta com artistas de praticamente todos os cantos do Brasil. Emicida (SP), Rincon (SP), Karol Conka (PR), Flora Matos (DF), Don L (CE), Baco Exú do Blues (BA),  Drik Barbosa (SP) e Hiran (BA) são alguns dos nomes que despontaram nos últimos anos e têm circulado pelo país com seus trabalhos.

“Tem muita gente boa hoje, trabalhando, tocando, ganhando dinheiro, ajudando outros. Antigamente tinha Racionais e mais uns quatro, cinco artistas, hoje você vê uns 20 grupos em destaque, 20 MCs homens e mulheres em destaque mesmo. Então, tá todo mundo meio que na linha de frente puxando o bonde. Antes era meio que só o Racionais que puxava. Tem muita gente trabalhando, fazendo música, shows, viajando o mundo. Hoje é um time mesmo, um time forte”, acredita. "Muita gente se inspirou nos Racionais, muitos desses que estão aí hoje têm a gente como inspiração, isso é muito gratificante. E o melhor de tudo é você estar no 'game' juntos com eles. Estamos no jogo também. É legal isso, fazer show junto. O Mano Brown faz show com Rincon, com o Rael, com Emicida, Criolo. Eu toco músicas deles também aonde eu toco", complementa. 

Sobre o show em Salvador, que terá a abertura do grupo baiano Afrocidade, KL Jay disse que a relação com o público baiano sempre foi muito boa e que estão esperando um "grande show" para esta sexta. “Racionais é sempre muito bem recebido em Salvador. A gente tem muitos fãs aí. Desde a primeira vez que os Racionais foi para Salvador sempre foi muito forte, muito emocionante, tem uma energia muito forte. Acho que inclusive por ser um lugar em que 90% da população é preta, tem essa identificação. Eu acho que vai ser um grande show”. 

SERVIÇO
O QUÊ:
 Racionais MC’s
QUANDO: Sexta-feira, 4 de outubro, a partir das 23h30
ONDE: Arena Fonte Nova – Salvador (BA)
VALOR: Lote I - R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia) | Lote II - R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)| Lote III - R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia)| Lote IV - R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia. Bahia Notícias.

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